Garrett foi mais que um homem da literatura, ele foi um homem da cultura, no sentido amplo da palavra. Deu um enorme impulso ao teatro em Portugal, criando o Conservatório de Arte Dramática e o Teatro Normal (actual Teatro Dona Maria II), introduzindo e cultivando com mestria o Romantismo em Portugal.
Além de homem das letras, Garrett foi também um homem político. A vitória do liberalismo e a sua estreita ligação aos liberais permitiram-lhe ser Par do Reino, Ministro e Secretário de Estado honorário.
A melhor homenagem que podemos fazer-lhe é lê-lo. Aqui fica um excerto de "Viagens na Minha Terra", que apesar de escrito há mais de 160 anos parece tão actual...
Mais umas poucas Dúzias de Homens Ricos...
" andai; reduzi
tudo a cifras, todas as considerações deste mundo a equações de
interesse corporal, comprai, vendei, agiotai. No fim de tudo isto, o que
lucrou a espécie humana? Que há mais umas poucas dúzias de homens
ricos. E eu pergunto aos economistas, aos políticos, aos moralistas, se já
calcularam o número de indivíduos que é forçoso condenar à miséria, ao
trabalho desproporcionado, à desmoralização, à infâmia, à ignorância
crapulosa, à desgraça invencível, à penúria absoluta, para produzir um
rico? - Que lho digam no Parlamento (...), onde, depois de tantas
comissões de inquérito, já devia andar orçado o número de almas que é
preciso vender ao diabo, número de corpos que se tem de entregar antes
do tempo ao cemitério para fazer (...) um banqueiro, um granjeeiro, seja o que for:
cada homem rico, abastado, custa centos de infelizes, de miseráveis."
Almeida Garrett, in 'Viagens na minha Terra'
Gabriel, surripiei-te a citação do Garrett!
ResponderEliminarBeijocas!