Hoje gostaria de partilhar convosco um poema do poeta brasileiro, intitulado "Amor Antigo". Belíssimo! Nunca as palavras Amor e Antigo combinaram tão bem! Apreciem
Ao Amor Antigo
O amor antigo vive de si mesmo,
não de cultivo alheio ou de presença.
Nada exige nem pede. Nada espera,
mas do destino vão nega a sentença.
O amor antigo tem raízes fundas,
feitas de sofrimento e de beleza.
Por aquelas mergulha no infinito,
e por estas suplanta a natureza.
Se em toda parte o tempo desmorona
aquilo que foi grande e deslumbrante,
a antigo amor, porém, nunca fenece
e a cada dia surge mais amante.
Mais ardente, mas pobre de esperança.
Mais triste? Não. Ele venceu a dor,
e resplandece no seu canto obscuro,
tanto mais velho quanto mais amor.
Carlos Drummond de Andrade

" andai; reduzi
tudo a cifras, todas as considerações deste mundo a equações de
interesse corporal, comprai, vendei, agiotai. No fim de tudo isto, o que
lucrou a espécie humana? Que há mais umas poucas dúzias de homens
ricos. E eu pergunto aos economistas, aos políticos, aos moralistas, se já
calcularam o número de indivíduos que é forçoso condenar à miséria, ao
trabalho desproporcionado, à desmoralização, à infâmia, à ignorância
crapulosa, à desgraça invencível, à penúria absoluta, para produzir um
rico? - Que lho digam no Parlamento (...), onde, depois de tantas
comissões de inquérito, já devia andar orçado o número de almas que é
preciso vender ao diabo, número de corpos que se tem de entregar antes
do tempo ao cemitério para fazer (...) um banqueiro, um granjeeiro, seja o que for:
cada homem rico, abastado, custa centos de infelizes, de miseráveis."


